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Autoestima frente ao diagnóstico do câncer de mama



No Brasil o câncer de mama é um dos mais comuns, principalmente em mulheres. Na nossa cultura é atribuído ao câncer uma série de conotações relacionadas a culpa, punição, deterioração, dor e morte, além de outros significados religiosos ou preconceituosos, o que agrava o momento da descoberta e consequentemente o sofrimento psicológico da paciente.


Tratamento com equipe multidisciplinar


Após o diagnóstico é fundamental que a equipe médica e de especialistas que acompanham a paciente desmistifiquem as crenças equivocadas e expliquem que cada tratamento é individualizado, assim como os efeitos do câncer no corpo de cada pessoa, tudo precisa ser feito em conjunto com o oncologista e a equipe terapêutica, visando sempre as demandas de cada paciente.


O impacto na autoestima


Um dos maiores temores das mulheres que descobrem um Câncer de Mama, além do medo da morte, é a grande influência que esse diagnóstico tem em sua autoestima. O medo de perder a mama e a queda dos cabelos são na maioria dos casos uma das primeiras coisas que surgem na mente.


Nossa cultura atribui a beleza a padrões estéticos extremamente rígidos, nem sempre ao alcance da maioria das pessoas e que são facilmente inseridos em nossa visão de mundo e de belo desde muito cedo, sem muitas vezes nos darmos conta. Quando falamos em uma mulher com câncer de mama, podemos encontrar diferentes efeitos colaterais aparentes como queda de cabelo, ressecamento da pele e alguma possibilidade da necessidade da retirada dos seios. O que pode parecer futilidade para alguns, são fatos que interferem significativamente no tratamento e na recuperação de muitas pacientes. Mais do que legítima, a preocupação não resume a uma questão estética, mas de identidade, autoestima e reconhecimento da própria imagem.




Especialistas apontam o quanto as questões relacionadas ao corpo, beleza e autoestima interferem durante o tratamento, podendo aumentar o risco para quadros de depressão, ansiedade, e outros sofrimentos psicológicos. Cabe ressaltar que o Transtorno Depressivo também está relacionado com maior sensação de dor e sofrimento físico, o que torna o período do tratamento ainda mais difícil e pode desencadear também sintomas psicossomáticos como manchas e coceiras na pele, dores nas articulações, enxaquecas e outros.


É preciso falar com um profissional


Sendo assim o acompanhamento psicológico é fundamental neste processo, viabilizando um espaço de escuta especializada onde a pessoa possa falar sobre seus medos, angústias, construir e criar outras vias para lidar com a doença e seus efeitos. Além disso, possibilitar a valorização da autoestima também com cuidados estéticos, novas formas de conviver com as mudanças sofridas no corpo, cada uma a sua maneira, com aquilo que gosta, sente-se bem e mais bonita.




Apesar de toda dificuldade e sofrimento, também é possível se cuidar e lidar da melhor maneira que cada um puder. Olhar para os lados, conversar com outras mulheres que vivem ou vivenciaram e conseguiram superar essas dificuldades, participar de grupos de apoio e da terapia individual podem ajudar bastante nesta caminhada, ninguém precisa passar por isto sozinha.

Algumas dicas que podem ajudar neste momento:

  1. Não se culpe pelo diagnóstico

  2. Procure por tratamento adequado com médicos, psicólogos, nutricionistas e outros que forem necessários

  3. Independente dos efeitos colaterais não abra mão da vaidade, isto não é futilidade, isto também é saúde

  4. Esteja perto de quem você ama, não se isole.

  5. Faça coisas que te façam bem, as coisas mais simples podem fazer muita diferença no seu dia

  6. Reconheça pequenas conquistas, serão combustíveis para o seu percurso

Texto: Psicóloga Marcella Moreira

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